Maria Carolina

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O transporte é público, meu corpo não! A rua é publica, meu corpo não!

Mais um 8 de março se passou e tudo se repetiu: rosas, poema melosos, saudações as guerreiras e as mulheres de verdade e a velha pergunta: dia internacional da mulher pra que?

19/3/2014, 9:59
4 minutos de leitura

Não é para dar rosas. Não para falar da delicadeza da alma feminina. Não é para recitar poemas que conciliam o lado frágil com o lado forte que toda mulher tem. Não é para homenagear o sexo feminino por seus seios, bunda e buceta! Anotem isso em seus caderninhos para não fazer feio em 2015.

Dia Internacional das Mulheres é para LUTAR por direitos iguais. Lutar por melhores salários, mais creches e educação de qualidade para nossas crianças, lutar por saúde pública decente, lutar por respeito. O verbo a ser conjugado nesse dia é Lutar Lutar Lutar sempre incansavelmente por um mundo melhor.

O SB pediu para escrever sobre a nova onda do momento “encoxar” mulheres em transportes públicos, jogar na rede e tirar onda de pegador. Não vou colocar link de página para você conferir, não dou moral para manés. Bem, encoxar não é novidade, imbecil contando uma covardia como se fosse um grande feito também não é novo e jogar na net também não! Nada, nadinha nisso é novo. Isso é violência contra mulher, isso é assédio, isso é nojento, isso é uma denuncia feitas pelas chatas das feministas durante anos e mais anos! Então, querido editor do SB, não é novidade! É realidade para mim, para Fabí e toda e qualquer mulher.

Toda mulher sabe que correr o risco de ser vítima de encoxamento, de cantada de rua, de assédio sexual e de estupro. É primeira conversa que uma mãe tem com uma filha. É uma questão de direitos iguais: trabalhar, estudar, votar, andar na rua sem ser incomodada, usar o transporte público sem ser encoxada. As mulheres lutaram e lutam por autonomia, independência  e liberdade. Falta a última fronteira: direito ao próprio corpo! Mas, Carol, as mulheres hoje estão tão liberadas quando aos homens. Sim, verdade! Porém ainda persiste o velho estigma sobre a mulher que vive sua sexualidade de maneira intensa: puta, vadia, piranha, mamada, ordinária… Sabemos como funciona para os homens: pegador, garanhão, macho, adestrador, comedor, o cara…

O corpo da mulher não é da mulher, é da sociedade machista que  o controla, o padroniza, o explora, estupra e depois cospe fora! Somos avaliadas por nossa aparência, tamanho da roupa e números de parceiros sexuais.  Ou somos santas ou somos putas. E o que tem isso haver com o encoxamento? Durante muitos anos as mulheres ficar restringidas ao ambiente doméstico, rua e trabalho eram coisas de homem! O corpo feminino era propriedade primeiro do pai que passava a posse para o marido. Guarde esse dado.

Se tem uma coisa que eu aprendi na faculdade de história foi: um golpe/revolução pode mudar o regime político e econômico de uma nação, porém não muda a mentalidade… essa pode consumir séculos para ser mudada. E ainda assim sobrará resquício dela. E o que acontece com o corpo da mulher: a sociedade guardou pra si que o corpo da mulher é do Marido, nunca da mulher. É muito comum um homem mexer com uma mulher na rua e ao perceber que ela está acompanhada por um figura masculina, pedir desculpas não a mulher… e sim ao homem que a acompanha. É quase: “desculpa aí, não vi que ela tinha dono!”

Para muitos homens: uma mulher desacompanhada é igual corpo disponível para o sexo, um corpo sem dono, como se a mulher não tivesse autonomia para escolher seus parceiros amorosos e sexuais! Então aquilo que parece simples: andar na rua, é uma experiência completamente diferente para homens e mulheres. Não acredita em mim, visite a página no Facebook: Cantada de rua – conte seu caso, são mais de 8.000 mil curtidas e mais de 1.000 relatos. Ainda dúvida? Pergunte para uma mulher do seu convívio  social: mãe, irmãs, tias, primas, sobrinhas ou amigas se foram assediadas? E como elas se sentiram? Ainda dúvida? Bem, morrer e reencarna mulher para entender do que estou falando!!!

Pros assediadores, agressores, pedófilos, encoxadores e estupradores, aviso: ” a missão vai ser cumprida vou corta sua pica…

 

 

 

 

Maria Carolina


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Fui militante do Movimento Estudantil, monitora de sociologia e voluntária na biblioteca no Ciep 175 – José Lins do Rego (São João de Meriti). Estou no Coletivo Grito do Silêncio e no Conselho de Cultura de São João de Meriti, porque acredito em mudanças sociais através da Arte e da Cultura. E estarei em sala de aula ensinando História. Sou militante no Movimento Feminismo, meu único ponto não transitório e inegociável!

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