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Não mete essa de “pauta da esquerda” não

14/9/2016, 11:00
3 minutos de leitura

A galera às vezes parece o Leônidas de Esparta naquela cena insana com o mensageiro, tratando assuntos elementares com a maior ignorância e truculência possível, ignorando toda e qualquer ideia que vá contra a sua linha de pensamento. Feião.

Reforma política, direitos humanos, cidadania, aborto, racismo, homofobia, leis trabalhistas e tantos outros temas essenciais, que precisam de uma discussão saudável, viraram “pauta de esquerda”. Sinceramente nunca entendi esse papo aí de pauta de esquerda. Sempre achei que o debate fazia parte do progresso humano e que isso não deveria ter lado – apenas visões diferentes que de alguma maneira se complementam.

Oras, o que uma pessoa faz com seu próprio corpo não deveria ser problema meu. O máximo que me cabe é mostrar outras possibilidades, raciocinar junto pra mostrar outras saídas e coisas neste sentido. Mas eu, ainda mais como homem, não tenho absolutamente nenhum direito de legislar sobre o corpo de uma mulher. E pra piorar, como homem hétero, não faz o menor sentido eu legislar sobre a vida de homens que não têm a mesma orientação que eu. Não faz sentido. Não sei como eles se sentem, não sei quais as dificuldades que enfrentam, não sei quais são seus anseios e quais são as suas angústias.

Chamar as pautas que dizem respeito à vida humana como “pauta de esquerda” é limitar demais a discussão. É criar um muro num lugar que deveria ter o campo mais aberto e uma visão mais ampla das coisas. Às vezes acho, só acho, que vivo num país governado por meia dúzia de homens da pele branca que são adultos, enquanto todos nós de fora da patotinha somos adolescentes fazendo barulho no quintal.

As micaretas de 2013, ou melhor, as manifestações populares, foram um marco pra polarização política. Ao invés de mostrar que todos os lados queriam as mesmas coisas (um Brasil melhor pra viver), escancarou que os fins estão muito distantes dos meios. Teve a morte do Ministério da Cultura, a expulsão das mulheres no comando da nação, a queda do poder de compra das pessoas, juiz virando popstar e agora, pra fechar o caixão, Neymar lançando carreira musical. Todo dia um 7×1 diferente e a gente finge que não sabe o porquê.

O tiroteio entre a esquerda e a direita está deixando um monte de vítimas no meio do caminho. A disputa ideológica só tem polarizado cada vez mais as discussões, a ponto de ideias bastante violentas começarem a fazer sentido pros dois lados. Já vi gente se questionando sobre matar a galera de Brasília e também vi outros falando que a polícia tem mesmo é que sentar o dedo nos manifestantes contra o governo.

Assim como o samba, não deixem o diálogo morrer.

 

Wesley Brasil

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Comunicador, especializado em projetos de alto impacto para a Baixada Fluminense. Fundou o Site da Baixada em 2006, acreditando numa Baixada Fluminense melhor através do amor.

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