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A sociedade tá colapsando e a gente não tá fazendo nada sobre isso

Tretas religiosas, caô financeiro e muita cutcharra nos relacionamentos

28/9/2016, 11:00
5 minutos de leitura

Peço desculpas pelo vacilo literário que você, leitor, vai encarar nas próximas linhas. Agradeço quem tiver paciência de ir até o fim e mais ainda quem quiser dividir sua opinião a respeito. O assunto é “colapso da sociedade”, da forma mais ampla e sem embasamento científico possível.

O capitalismo não venceu e o socialismo também não. Na real, nenhum dos “ismo” sequer chegou perto da construção de uma sociedade justa. Não estou falando só daquele papo que seu professor de história ou geografia gostava de falar em sala de aula, tentando inutilmente explicar que uma das essências do capital é o lucro, e que na maioria dessas vezes o custo disso é a exploração das massas.

Mas calma que isso não é um daqueles textos chatos pra cacete falando de Rússia, Estados Unidos e outras paradas.

Deu ruim pra muita gente quando declarou-se “crise”. Perda de empregos, gente se matando, gente matando… Mas se a gente tá em crise, como é que teve empresa batendo recorde de faturamento? Se tá ruim pra todo mundo, como é que tem empresa crescendo a passos largos?

Colapso
Desmoronamento, ruína ou desintegração de uma estrutura, um sistema etc. *

A sociedade humana, de maneira geral, está entrando em colapso sim. Apesar de encontrarmos soluções para problemas complexos no campo da medicina, por exemplo, ainda vemos sentido em investir bilhões em Olimpíadas e não usar esse caminhão de dinheiro pra construir casas e pesquisas a cura da AIDS ou acabar com a fome na África.

Entenda, querido leitor, estou falando de caminhos que a humanidade tem tomado rumo ao favorecimento cada vez maior de quem tem muita grana. Chegamos num ponto bizarro onde os ricos estão pegando pequenos exemplos entre os pobres para mantê-los crentes na possibilidade de um futuro melhor e fazê-los trabalhar mais pra gerar mais receita pra eles.

Complicado.

Como se não bastasse todo o problema de grana, ainda esbarramos nos problemas religiosos que a sociedade, após milênios de existência, ainda enfrenta. Não consigo ver dificuldade em entender que a minha verdade é minha e não é obrigatoriamente a sua. Eu tenho minhas crenças, você leitor tem a sua e caso você esteja disposto a ouvir o que tenho a dizer, cabe a você escolher se quer seguir ou não o caminho que sigo. A única grande convenção deveria ser: o que você fizer com sua vida não é problema meu.

Matemática simples.

Mas a religião participando da legislação começa a criar regras para quem pensa diferente. E pra piorar, a religião influencia a forma de pensar da sociedade, fazendo minorias se tornarem invisíveis. Hoje vejo movimentos, normalmente construídos por jovens, no caminho contrário: tem uma galera cristã tentando dizer que tá de boa com a galera não-cristã. Tem uma galera islã tentando dizer que não fecha com o Estado Islâmico. O problema é que, por mais que a turma se esforce, tem uma turminha extremista que caga regra e estraga tudo.

A gente precisa se amar mais, e isso é muito sério.

O colapso que a sociedade está começando a encarar pode terminar muito mal. Se tem algo em comum em absolutamente todas as crenças é o amor. Mó papo clichê, mas é real. Porque a base de uma sociedade justa, no fim das contas, é o amor. A gente deveria ouvir um pouco mais, respeitar um pouco mais, pra que violências como as que cometeram com a Vila Autódromo não se repitam. O caveirão na zona norte e oeste não deveria se fazer presente. A média de policiais na periferia deveria ser a mesma dos bairros ricos. Os ricos pagam mais pra morar mais perto da praia, mais perto de coisas “finas” que atendem suas necessidades de consumo, e não pra serem mais cidadãos do que quem mora na Baixada Fluminense.

A gente não tá fazendo absolutamente nada sobre isso. Estamos deixando um mundo cada vez pior pros nossos filhos e estamos “ok” com isso. Nossas crianças vão herdar um mundo poluído sem políticas públicas decentes. Nós já estaremos velhos demais pra fazer alguma coisa e ainda vamos ajudar a promover novos “Brexit”, como os coroas fizeram na Europa.

Como se não bastasse, nossos relacionamentos estão indo pras cucuias.

Os números de pessoas solitárias sobem a cada ano (sobre isso pesquisei sim, é real). Não vejo problema em Tinder e outras ferramentas digitais, mas só de pensar que tanta gente utiliza cada vez mais as redes pra montar um “cardápio” me dá arrepios. Ok, a tecnologia tornou possíveis alguns encontros que antes seriam impensáveis. Mas ela também pode ter criado barreiras consideráveis entre nós, facilitando o término de relacionamentos por whatsapp, a quebra de contratos pelo chat do Facebook e brigas pelo Twitter.

Já fomos melhores que isso.

Talvez, de alguma maneira, toda essa distância se reflete no colapso que estamos vivendo. Quando a gente se olha, a gente percebe melhor a realidade. O toque, impossível (ainda) no meio virtual, aproxima as pessoas.

Se de repente a gente valorizasse um pouco mais os pequenos momentos entre nós e usássemos toda essa energia pra lutar por mudanças mais profundas na sociedade, de repente o mundo seria um lugar menos pior pra viver.

Desculpa aí pelo vacilo.

Crédito da foto de capa: Charles Platiau/Reuters

* MICHAELIS ON-LINE, “colapso”, Dicionário da Língua Portuguesa, disponível em < http://michaelis.uol.com.br/busca?r=0&f=0&t=0&palavra=colapso >,  Acesso em 27/08/2016.

Wesley Brasil

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Comunicador, especializado em projetos de alto impacto para a Baixada Fluminense. Fundou o Site da Baixada em 2006, acreditando numa Baixada Fluminense melhor através do amor.

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