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Editorial: dez anos de Site da Baixada

6/11/2016, 3:00
6 minutos de leitura

A gente podia agora dividir, querido leitor, um pedaço de bolo. Não sou chegado a natalícios, mas dez anos de história merecem alguma solenidade. Quando o Youtube ainda engatinhava e a Globo estava longe de ser a líder em audiência na internet, o Site da Baixada nascia. Uma proposta simples: informar as pessoas da Baixada Fluminense sobre o que acontecia perto de casa.

Como editor, eu poderia dizer que o grande beneficiado foi o leitor, mas seria mentira minha. Não quero encher a sua paciência com histórias e papos publicitários mostrando o quanto o Site da Baixada é importante pra sociedade. Vamos direto ao ponto?

O maior beneficiado fui eu.

Prazer, Wesley Brasil (fb.com/wesleybrasil). Há dez anos atrás a minha noção de Baixada Fluminense era o Vilar dos Teles, Centro de São João e Centro de Duque de Caxias. Eu não tinha a menor noção do lugar que eu morava, mas tinha a cara-de-pau pra criar um portal com a pompa de ser o “site” da região inteira. “Site da Baixada”, pensei, seguindo o instinto mais óbvio. Nasceu. Pegou.

Dois milhões e duzentos mil acessos depois, aprendi que grandes poderes trazem grandes responsabilidades. Fiz aliados em Nilópolis, fiz minha vida em Nova Iguaçu, conheci Belford Roxo, fui parar em Seropédica… Em Caxias vou na favela da Vila Operária, em Saracuruna… Todo mundo na Biblioteca Leonel Brizola me conhece. Muitas memórias na Lira de Ouro também. O Site da Baixada me forçou a ir parar em Guapimirim, Magé e até no outro lado, Paracambi, dei meu rolê.

Parando pra pensar, talvez meio atrasado, sinto que daria pra escrever um livro contando as aventuras. Os encontros com secretários de governo e prefeitos. Os papos com grandes empresários. As conversas com gente comum. Conheci tantas pessoas, de tantos círculos sociais, que me sinto um verdadeiro privilegiado – até fui parar num grupo de jornalistas da Baixada, mesmo sempre tendo repetido que não sou jornalista.

Ao longo destes dez anos, muita gente ajudou essa história de alguma maneira. Alguns escreveram reportagens, outros foram fontes pra elas. Teve gente que ajudou a inserir dados nos nossos catálogos e teve gente que divulgou pra caramba os nossos links.

Chegou a hora de assoprar as velinhas e pensar no futuro. As coisas que mais movem o SB são o amor, o espírito de vanguarda, o espírito de independência… Ele nunca virou um negócio. Em 2016 experimentamos algumas fontes de receita, mas nada que o transformasse numa empresa, como alguns outros portais o fizeram (muito melhor que nós por aqui, inclusive). E esse ponto em especial, o dinheiro, tem sido sempre a única coisa que impediu o portal de crescer de verdade.

Ano passado fizemos um financiamento coletivo. Por meses me questionei sobre manter o SB no ar e meus amigos me convenceram de mantê-lo funcionando. Corri atrás de gente que abraçasse a causa, mobilizei pessoas em prol da marca e finalmente botei esse rostinho lindo aqui nesse mundão. As pessoas só me conheciam nos bastidores, mas passei a assinar algumas matérias, a escrever ainda mais, a estar toda semana no rádio, a aparecer em alguns vídeos, reportagens pra televisão…

Todo esse ciclo foi fundamental para compreender a missão do Site da Baixada, que nunca mudou: informar as pessoas da Baixada Fluminense sobre o que acontece perto da casa delas, mas que elas soubessem das coisas bacanas que não saem na imprensa tradicional.

O problema é que não temos estrutura pra fazer hard news (publicar matéria todo dia, o dia todo). Não temos estrutura sequer para publicar as reportagens bacanas que arriscamos esse ano. E por favor não me mandem emails e mensagens inbox falando para fazer parcerias com faculdades: a maioria dos estudantes só quer saber mesmo das horas e não da causa. Busquei os cursos de comunicação na Baixada e nenhum deu a devida atenção ao SB e sempre ficamos no “vamos ver isso aí” – isso quando respondiam.

Pra complicar a situação, o mercado de mídia online está mudando. As pessoas consomem cada vez mais vídeos e menos textos. Os investimentos publicitários envolvem cada vez mais anúncios em redes sociais e menos em rede display. Por outro lado, nunca recebi tantos convites para participar em grandes projetos na Baixada Fluminense quanto este ano – e todos envolviam muito pouco de internet tradicional.

Em vista disso tudo, acredito cegamente que é tempo de mudança.

Sim, cogitei a hipótese de fecharmos as portas mas isso não seria justo com nosso acervo de mais de 7.000 matérias publicadas, mais de 10.000 leitores mensais e com nossos 28.000 fãs no Facebook (apesar de a página atual só ter 800, após a derrubada da nossa página). E por respeito a este legado de dez anos, o SB não vai fechar as portas.

Mas vai apertar o pause.

Conheço um montão de gente que está disposta a fazer pela Baixada Fluminense, mas não se encaixa na necessidade principal do Site da Baixada: a escrita. São artistas visuais, músicos, produtores culturais, empresários… E é por isso que precisamos repensar o formato e repensar os próximos dez anos.

Chegou o momento do Site da Baixada transcender.

Ainda não sei como tanta energia vai ser direcionada. Não sei mesmo. Só sei que preciso confiar nesse sentimento que tenho no momento, tão igual ao que tive há dez anos atrás quando o SB nasceu. Naquela época éramos carentes de informação e hoje precisamos de algo mais profundo que isso. Como comunicador, me sinto na obrigação de transpor estas barreiras.

Sou grato a cada um de vocês que fazem parte dessa história. Aprendi demais sobre o meu território. Conheci pessoas magníficas que continuam do meu lado.

Isso não é uma despedida, querido leitor. É só o “pause”. Espero poder apertar o “play” daqui há poucos meses. Nosso contato pode ser direto, lá no Facebook: http://facebook.com/wesleybrasil/

Lembram do slogan de 2006? “Descubra uma Baixada Fluminense que você ainda não conhece“.

Pois é. Eu descobri.

Wesley Brasil

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Comunicador, especializado em projetos de alto impacto para a Baixada Fluminense. Fundou o Site da Baixada em 2006, acreditando numa Baixada Fluminense melhor através do amor.

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